Eu não te amo mais

 

É exatamente isso o que você acabou de ler: Eu não te amo mais.

Desde que nos conhecemos eu tive a sensação de que a cada dia eu me apaixonava um pouquinho mais por você e mesmo achando isso improvável pelo meu histórico nada amoroso da minha vida nenhum pouco romântica, eu estava sim perdidamente apaixonada por você.

E por mais frustrante que isso parecesse pra mim, pois nunca havia me acontecido algo do tipo antes, eu não desisti de você, eu me permite sentir isso. Era algo novo, um sentimento intenso e único.

Era amor. 

Antes de trocarmos o famoso eu te amo eu já sabia o que estava acontecendo, no início pensei que o mundo ao meu redor havia mudado, até que percebi que quem havia mudado na verdade era eu porque eu estava ir-re-vo-ga-vel-men-te, per-di-da-men-te e his-te-ri-ca-men-te apaixonada por você. Eu te amava.

É engraçado como enxergamos as coisas ao nosso redor de outra forma quando estamos apaixonados, né? Como quando você começa a usar óculos ou troca seus óculos depois de um ano usando as mesmas lentes: você enxerga tudo com mais cor, mais vida e muito mais bonito. Há quem diga que o amor é cego, mas cá entre nós, ele nos faz enxergar as coisas com mais amor e mais leveza.

Outro dia me peguei tentando entender o que me fazia te amar e cheguei a conclusão de que eu não tinha como te amar mais, pois você já tinha me mostrado todos os motivos pelos quais vale a pena amar você. Então não, eu não te amo mais a cada dia, eu já te amo o suficiente e a cada dia que passa esse amor é cultivado aqui dentro com os nossos momentos e pequenos gestos de amor e cumplicidade do nosso relacionamento.

Amor, eu já te amo o suficiente pra vida inteira.

24 anos, adora sinceridade e fala o que lhe dá na telha.

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E se?

 

 

Já faz algum tempo que todo dia 27 eu me faço a mesma pergunta: E se eu não tivesse voltado?

Lembro como se fosse ontem, você me deixando em frente ao portão da minha casa e quando fomos nos despedir você me deu um beijo bem no cantinho da minha boca. Eu não pude deixar de comentar e lhe dei as costas falando sobre o quase selinho. Você que de bobo não tem nada, disse que se eu voltasse me daria um beijo. Na hora eu não pensei em nada, eu simplesmente segui meus instintos e em menos de 10 segundos já estava parada na sua frente esperando o beijo que você havia prometido.

E se eu não tivesse voltado? Você teria tentado em outra ocasião ou entenderia que eu não queria nada com você?

Eu sei que é besteira me questionar isso, mas eu te amo tanto que volta e meia me passa pela cabeça essas ideias malucas.

Nos últimos anos você tem sido muito mais que um namorado, o seu companheirismo sempre me impressionou e a simplicidade com que você vê o mundo me fez abrir os olhos e enxergar que o mundo pode ser um lugar melhor, isso só depende da gente.

Com você eu aprendi e tenho aprendido a amar, não que eu não tenha tido experiências antes de você, mas hoje eu sinto que estou pronta pra sentir o tão temido amor. Eu sempre tive um bloqueio emocional de não me relacionar tão a fundo, mas com você foi completamente diferente. Com você é diferente. Parece clichê né? Mas eu descobri que o amor é isso, ser brega e clichê. E você não tem como escapar disso.

Eu amo cada detalhe teu. Todas as suas características que você julga como defeito, eu amo. Confesso que já tentei odiá-las, sabe aquelas brigas bobas que tivemos? Então, eu tentei te odiar um pouquinho só pra não dar o braço a torcer e não correr atrás de você e, não obtive sucesso.

Acho que cheguei a uma conclusão. E se a gente nunca se largasse? 

24 anos, adora sinceridade e fala o que lhe dá na telha.

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Seu olhar no meu olhar

 

Ele estava me encarando, resolvi resistir. Sua pele era clara, seus olhos grandes e escuros me lembravam jabuticabas. Sem perceber eu estava encarando sua boca que eu sempre assimilava a um coração.
Fofo, pensei.
Irresistível, admiti mentalmente.
Dei por mim quando seus lábios formaram um meio sorriso, voltei a olhar seus olhos.
– gosto quando você esquece seus olhos nos meus – disse, sem piscar.
– Chico Buarque? – perguntei, pois já havia ouvido em algum lugar.
– “acho uma delícia quando você esquece os olhos em cima dos meus.” – corrigiu. Ainda sem piscar, ele deu um passo em minha direção.
– “ou quando sua risada se confunde com a minha.” – completei, tentando não piscar.
Nós sorrimos juntos, ali parados, um encarando o outro.
Assustei-me quando senti seus braços envolvendo minha cintura e me puxando para mais perto.
– gosta de Chico Buarque? – sem jeito perguntei, mas meus olhos em momento algum foram capazes de deixar os dele.
– “E quando ela está nos meus braços, as tristezas parecem banais; o meu coração aos pedaços se remenda prum numero a mais.” – recitou.
– Luísa? – perguntei, pois o nome da musica era Luísa.
– Julia – corrigiu.
Um sorriso surgiu em meus lábios.
Agora quem encarava meus lábios era ele, seus olhos vidrados me deixaram intimidada.
Percebi que enquanto seus braços me faziam sentir protegida, meus braços estavam parados demonstrando emoção alguma. Sem ter certeza do que estava fazendo passei meus braços em seu pescoço.
Ele saiu do transe e me olhou surpreso.
– queria poder ler seu pensamento – franziu a testa.
Eu olhei seus lábios e voltei a olhá-lo rapidamente.
– não é tão difícil assim – sussurrei.
Eu estava pronta, eu queria beijá-lo.
Nossos rostos estavam mais próximos e eu nem havia notado. Ele fechou os olhos e eu fiz o mesmo, levemente ele roçou o nariz no meu. Minhas mãos estavam tremendo e para mantê-las paradas, segurei sua nuca. Conforme nossos narizes se roçavam eu sentia as batidas do meu coração em meus ouvidos.
Meu celular tocou.
Acordei assustada com o despertador. Eu estava suando frio. Sentei-me na cama depressa e desativei o despertador. Já era dia. Fiz careta ao lembrar que havia sonhado com Rômulo.

24 anos, adora sinceridade e fala o que lhe dá na telha.

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