Seu olhar no meu olhar

 

Ele estava me encarando, resolvi resistir. Sua pele era clara, seus olhos grandes e escuros me lembravam jabuticabas. Sem perceber eu estava encarando sua boca que eu sempre assimilava a um coração.
Fofo, pensei.
Irresistível, admiti mentalmente.
Dei por mim quando seus lábios formaram um meio sorriso, voltei a olhar seus olhos.
– gosto quando você esquece seus olhos nos meus – disse, sem piscar.
– Chico Buarque? – perguntei, pois já havia ouvido em algum lugar.
– “acho uma delícia quando você esquece os olhos em cima dos meus.” – corrigiu. Ainda sem piscar, ele deu um passo em minha direção.
– “ou quando sua risada se confunde com a minha.” – completei, tentando não piscar.
Nós sorrimos juntos, ali parados, um encarando o outro.
Assustei-me quando senti seus braços envolvendo minha cintura e me puxando para mais perto.
– gosta de Chico Buarque? – sem jeito perguntei, mas meus olhos em momento algum foram capazes de deixar os dele.
– “E quando ela está nos meus braços, as tristezas parecem banais; o meu coração aos pedaços se remenda prum numero a mais.” – recitou.
– Luísa? – perguntei, pois o nome da musica era Luísa.
– Julia – corrigiu.
Um sorriso surgiu em meus lábios.
Agora quem encarava meus lábios era ele, seus olhos vidrados me deixaram intimidada.
Percebi que enquanto seus braços me faziam sentir protegida, meus braços estavam parados demonstrando emoção alguma. Sem ter certeza do que estava fazendo passei meus braços em seu pescoço.
Ele saiu do transe e me olhou surpreso.
– queria poder ler seu pensamento – franziu a testa.
Eu olhei seus lábios e voltei a olhá-lo rapidamente.
– não é tão difícil assim – sussurrei.
Eu estava pronta, eu queria beijá-lo.
Nossos rostos estavam mais próximos e eu nem havia notado. Ele fechou os olhos e eu fiz o mesmo, levemente ele roçou o nariz no meu. Minhas mãos estavam tremendo e para mantê-las paradas, segurei sua nuca. Conforme nossos narizes se roçavam eu sentia as batidas do meu coração em meus ouvidos.
Meu celular tocou.
Acordei assustada com o despertador. Eu estava suando frio. Sentei-me na cama depressa e desativei o despertador. Já era dia. Fiz careta ao lembrar que havia sonhado com Rômulo.

23 anos, adora sinceridade e fala o que lhe dá na telha.

Talvez cê curta

54 Comentários

  1. STÉ DA MINHA VIDA!
    Não faz isso comigo! hahahah
    Eu lendo super admirada, pensando “nossa, que romântico. Que fo**. Da lindo!” …Era tudo ilusão. Poxa.
    Vou chamar meu noivo para agt interpretar essa cena, depois disso. Mas sendo real, e sem despertador!
    Despertador miserável!!! hahah
    Parabéns pelo texto. Beijos
    5 O’clock Tea

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