E se?

 

 

Já faz algum tempo que todo dia 27 eu me faço a mesma pergunta: E se eu não tivesse voltado?

Lembro como se fosse ontem, você me deixando em frente ao portão da minha casa e quando fomos nos despedir você me deu um beijo bem no cantinho da minha boca. Eu não pude deixar de comentar e lhe dei as costas falando sobre o quase selinho. Você que de bobo não tem nada, disse que se eu voltasse me daria um beijo. Na hora eu não pensei em nada, eu simplesmente segui meus instintos e em menos de 10 segundos já estava parada na sua frente esperando o beijo que você havia prometido.

E se eu não tivesse voltado? Você teria tentado em outra ocasião ou entenderia que eu não queria nada com você?

Eu sei que é besteira me questionar isso, mas eu te amo tanto que volta e meia me passa pela cabeça essas ideias malucas.

Nos últimos anos você tem sido muito mais que um namorado, o seu companheirismo sempre me impressionou e a simplicidade com que você vê o mundo me fez abrir os olhos e enxergar que o mundo pode ser um lugar melhor, isso só depende da gente.

Com você eu aprendi e tenho aprendido a amar, não que eu não tenha tido experiências antes de você, mas hoje eu sinto que estou pronta pra sentir o tão temido amor. Eu sempre tive um bloqueio emocional de não me relacionar tão a fundo, mas com você foi completamente diferente. Com você é diferente. Parece clichê né? Mas eu descobri que o amor é isso, ser brega e clichê. E você não tem como escapar disso.

Eu amo cada detalhe teu. Todas as suas características que você julga como defeito, eu amo. Confesso que já tentei odiá-las, sabe aquelas brigas bobas que tivemos? Então, eu tentei te odiar um pouquinho só pra não dar o braço a torcer e não correr atrás de você e, não obtive sucesso.

Acho que cheguei a uma conclusão. E se a gente nunca se largasse? 

23 anos, adora sinceridade e fala o que lhe dá na telha.
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Amar não é doença

 

Eu sou a favor do amor.

Quando se trata de amor não existe sexo ou um padrão, é só amor. É algo simples, é um sentimento puro e verdadeiro, apenas.

Amar uma pessoa do mesmo sexo não deveria ser considerado errado ou até mesmo uma doença, deveria ser visto como realmente é: amor. E o amor é lindo, certo? Independente do fato de ser entre duas mulheres, dois homens ou não, pois continua sendo amor ou existe outro nome pra isso?

Não. O nome disso é amor.

O mundo vem evoluindo tanto nos últimos anos, mas há ainda quem discrimine a união entre duas pessoas do mesmo sexo, cá entre nós, muda alguma coisa não aceitar? “Mas Sté, parece que virou modinha ser gay” hoje em dia realmente existem mais gays, mas, porque eles se sentem a vontade de sair do armário, pois a aceitação de seus familiares e amigos é muito melhor do que antigamente.

Se você que está lendo esse texto é homofóbico, sinta-se a vontade para se retirar e nunca mais voltar aqui, pois eu levanto a bandeira LGBT com muito orgulho e vou à luta ao lado dessas pessoas que querem apenas a igualdade e não regalias como muitos dizem.

Aqui deixo um beijo enorme à minha mãe que já passou por tantas gerações e me ensinou a ser tão mente aberta. Um beijo também à lésbica mais querida do Brasel: minha irmã, minha metade, minha gêmula de cinco anos de diferença .

E você, é favor do amor?

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Seu olhar no meu olhar

 

Ele estava me encarando, resolvi resistir. Sua pele era clara, seus olhos grandes e escuros me lembravam jabuticabas. Sem perceber eu estava encarando sua boca que eu sempre assimilava a um coração.
Fofo, pensei.
Irresistível, admiti mentalmente.
Dei por mim quando seus lábios formaram um meio sorriso, voltei a olhar seus olhos.
– gosto quando você esquece seus olhos nos meus – disse, sem piscar.
– Chico Buarque? – perguntei, pois já havia ouvido em algum lugar.
– “acho uma delícia quando você esquece os olhos em cima dos meus.” – corrigiu. Ainda sem piscar, ele deu um passo em minha direção.
– “ou quando sua risada se confunde com a minha.” – completei, tentando não piscar.
Nós sorrimos juntos, ali parados, um encarando o outro.
Assustei-me quando senti seus braços envolvendo minha cintura e me puxando para mais perto.
– gosta de Chico Buarque? – sem jeito perguntei, mas meus olhos em momento algum foram capazes de deixar os dele.
– “E quando ela está nos meus braços, as tristezas parecem banais; o meu coração aos pedaços se remenda prum numero a mais.” – recitou.
– Luísa? – perguntei, pois o nome da musica era Luísa.
– Julia – corrigiu.
Um sorriso surgiu em meus lábios.
Agora quem encarava meus lábios era ele, seus olhos vidrados me deixaram intimidada.
Percebi que enquanto seus braços me faziam sentir protegida, meus braços estavam parados demonstrando emoção alguma. Sem ter certeza do que estava fazendo passei meus braços em seu pescoço.
Ele saiu do transe e me olhou surpreso.
– queria poder ler seu pensamento – franziu a testa.
Eu olhei seus lábios e voltei a olhá-lo rapidamente.
– não é tão difícil assim – sussurrei.
Eu estava pronta, eu queria beijá-lo.
Nossos rostos estavam mais próximos e eu nem havia notado. Ele fechou os olhos e eu fiz o mesmo, levemente ele roçou o nariz no meu. Minhas mãos estavam tremendo e para mantê-las paradas, segurei sua nuca. Conforme nossos narizes se roçavam eu sentia as batidas do meu coração em meus ouvidos.
Meu celular tocou.
Acordei assustada com o despertador. Eu estava suando frio. Sentei-me na cama depressa e desativei o despertador. Já era dia. Fiz careta ao lembrar que havia sonhado com Rômulo.

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