E se?

 

 

Já faz algum tempo que todo dia 27 eu me faço a mesma pergunta: E se eu não tivesse voltado?

Lembro como se fosse ontem, você me deixando em frente ao portão da minha casa e quando fomos nos despedir você me deu um beijo bem no cantinho da minha boca. Eu não pude deixar de comentar e lhe dei as costas falando sobre o quase selinho. Você que de bobo não tem nada, disse que se eu voltasse me daria um beijo. Na hora eu não pensei em nada, eu simplesmente segui meus instintos e em menos de 10 segundos já estava parada na sua frente esperando o beijo que você havia prometido.

E se eu não tivesse voltado? Você teria tentado em outra ocasião ou entenderia que eu não queria nada com você?

Eu sei que é besteira me questionar isso, mas eu te amo tanto que volta e meia me passa pela cabeça essas ideias malucas.

Nos últimos anos você tem sido muito mais que um namorado, o seu companheirismo sempre me impressionou e a simplicidade com que você vê o mundo me fez abrir os olhos e enxergar que o mundo pode ser um lugar melhor, isso só depende da gente.

Com você eu aprendi e tenho aprendido a amar, não que eu não tenha tido experiências antes de você, mas hoje eu sinto que estou pronta pra sentir o tão temido amor. Eu sempre tive um bloqueio emocional de não me relacionar tão a fundo, mas com você foi completamente diferente. Com você é diferente. Parece clichê né? Mas eu descobri que o amor é isso, ser brega e clichê. E você não tem como escapar disso.

Eu amo cada detalhe teu. Todas as suas características que você julga como defeito, eu amo. Confesso que já tentei odiá-las, sabe aquelas brigas bobas que tivemos? Então, eu tentei te odiar um pouquinho só pra não dar o braço a torcer e não correr atrás de você e, não obtive sucesso.

Acho que cheguei a uma conclusão. E se a gente nunca se largasse? 

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Seu olhar no meu olhar

 

Ele estava me encarando, resolvi resistir. Sua pele era clara, seus olhos grandes e escuros me lembravam jabuticabas. Sem perceber eu estava encarando sua boca que eu sempre assimilava a um coração.
Fofo, pensei.
Irresistível, admiti mentalmente.
Dei por mim quando seus lábios formaram um meio sorriso, voltei a olhar seus olhos.
– gosto quando você esquece seus olhos nos meus – disse, sem piscar.
– Chico Buarque? – perguntei, pois já havia ouvido em algum lugar.
– “acho uma delícia quando você esquece os olhos em cima dos meus.” – corrigiu. Ainda sem piscar, ele deu um passo em minha direção.
– “ou quando sua risada se confunde com a minha.” – completei, tentando não piscar.
Nós sorrimos juntos, ali parados, um encarando o outro.
Assustei-me quando senti seus braços envolvendo minha cintura e me puxando para mais perto.
– gosta de Chico Buarque? – sem jeito perguntei, mas meus olhos em momento algum foram capazes de deixar os dele.
– “E quando ela está nos meus braços, as tristezas parecem banais; o meu coração aos pedaços se remenda prum numero a mais.” – recitou.
– Luísa? – perguntei, pois o nome da musica era Luísa.
– Julia – corrigiu.
Um sorriso surgiu em meus lábios.
Agora quem encarava meus lábios era ele, seus olhos vidrados me deixaram intimidada.
Percebi que enquanto seus braços me faziam sentir protegida, meus braços estavam parados demonstrando emoção alguma. Sem ter certeza do que estava fazendo passei meus braços em seu pescoço.
Ele saiu do transe e me olhou surpreso.
– queria poder ler seu pensamento – franziu a testa.
Eu olhei seus lábios e voltei a olhá-lo rapidamente.
– não é tão difícil assim – sussurrei.
Eu estava pronta, eu queria beijá-lo.
Nossos rostos estavam mais próximos e eu nem havia notado. Ele fechou os olhos e eu fiz o mesmo, levemente ele roçou o nariz no meu. Minhas mãos estavam tremendo e para mantê-las paradas, segurei sua nuca. Conforme nossos narizes se roçavam eu sentia as batidas do meu coração em meus ouvidos.
Meu celular tocou.
Acordei assustada com o despertador. Eu estava suando frio. Sentei-me na cama depressa e desativei o despertador. Já era dia. Fiz careta ao lembrar que havia sonhado com Rômulo.

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Nós nos pertencíamos

 

Rômulo do outro lado da rua olhou para mim e eu senti todas aquelas borboletas que voaram ao redor de mim mais cedo, agora em meu estômago. Ele deu um passo à frente e eu fiz o mesmo, nossos olhares não se deixaram.
Eu não sabia o que estava sentindo, mas eu precisava saber. Eu não conseguia pensar em outra coisa a não ser beijá-lo, eu queria sentir o seu gosto.
Minhas mãos estavam suando e meu coração ameaçava sair pela boca.
Seu olhar era de aflição, por que ele estava aflito? Ele olhou para o chão a sua frente e voltou a me olhar, ele me queria ali? Ou ele estava confuso sobre o que sentia?
Ele sorriu e então eu entendi.
Não pensei duas vezes e atravessei a rua correndo, ele fez o mesmo. Quando nos encontramos eu tive certeza de que esse era o momento e que tudo iria mudar a partir dali. Eu o desejava e o seu olhar não mentia, ele me queria também.
Ele segurou minha mão e então percebi que eu estava tremendo. Senti um pingo em minha mão e olhamos para o céu, estava começando a chover.
Rimos ali parados no meio da rua.
Ele colocou uma mecha de cabelo atrás de minha orelha e desenhou com o dedão meu rosto até o queixo, o deixei cair por timidez e ele o levantou para que eu o olhasse. Nervosa eu sorri e mordi os lábios.
Ele aproximou seu rosto do meu e pressionou sua mão em minha nuca para que me aproximasse mais. Nossas bocas estavam há centímetros de distância e então ele fechou os olhos e eu o fiz também.
Agora os pingos eram mais fortes e meu cabelo já estava encharcado.
Sua boca macia tocou a minha e eu senti seu hálito de hortelã. Eu segurei sua cintura e o puxei para mais perto, eu precisava sentir seu corpo também. Com movimentos suaves nossas bocas se encaixavam e eu não senti mais o chão onde eu pisava, eu estava nas nuvens.
Eu senti que ele era meu, agora eu tinha certeza, nós nos pertencíamos e só com o beijo foi suficiente para compreender.

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